quarta-feira, 17 de março de 2010

RELACIONAMENTO DOENTIO.



No início de um relacionamento surge a paixão,com o passar do tempo esse sentimento pode se transformar em amor ,amizade ou mesmo  numa relação doentia.Essa relação começa aparentemente saudável resultado de uma atração física,afetiva ou sexual mas não demora para  se transformar numa relação dominada pela agressividade,ciúmes, competição,chantagem...Buscamos no outro o que não temos ,criamos uma expectativa com relação ao outro.A pessoa emocionalmente doente vive em função do parceiro e não aceita que o mesmo tenha vida própria.O sentimento de culpa e a baixa estima estão presentes nesses relacionamentos,deixando a relação  insuportável.Com o passar do tempo a pessoa vai adoecendo cada vez mais, e mesmo assim tenta salvar o pouco que lhe resta,segura numa corda fina e bamba onde se entrega desmedidamente para o outro e não tem retorno, pelo contrário somente desgaste.Uma relação assim quanto mais se adia o término mais abalada a  pessoa fica emocionalmente,não é fácil mas também não é impossível desfazer esse vínculo,o importante é que a pessoa vá se preparando para isso,ela deve retomar algumas atividades deixadas para trás,buscar novas e velhas amizades ,se dedicar ao trabalho,a psicoterapia também pode ajudá-lo, a se fortalecer para conviver com essa separação,com essa nova fase da vida.
Luciana Penido

segunda-feira, 15 de março de 2010

Uma linda semana para todas as mulheres modernas,independentes,que trabalham fora e/ou no lar,que amam o que fazem,que se desdobram em várias mas que sabem que não podem dar conta de tudo,que adoram a net e não vivem mais sem ela rsrs,que correm atrás de seus sonhos,que rir dos seus erros ,que não se submetem  a vaidade excessiva e que se aceitam como são.
Luciana Penido.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Final de semana...

Êh que delíciaaaa!! O final de semana está chegando!!Algumas pessoas aproveitam para sair, badalar,   outras preferem descansar,curtir mais um pouquinho a cama,não importa qual é o seu jeito,o que você faz no final de semana VIVA PRAZEROSAMENTE.
                          Bom final de semana !!
Luciana Penido

quinta-feira, 11 de março de 2010

Lar doce Lar

Quem não gostaria de ter uma casa assim? Tudo bem que ela é uma casa dos sonhos mas não terei garantias que serei feliz se morar numa casa desse porte.Não importa como seja a nossa casa,ela é o  nosso aconchego,e melhor ainda se ela for o nosso lar.Quando viajamos nos primeiros dias podemos adorar o hotel ou a casa de um parente,amigo mas depois sentimos falta da nossa casa especificamente da nossa cama,de nossas coisas...Aproveite quando estiver em casa e curta esse momento,você pode:trocar os móveis de lugar,preparar uma comidinha bem gostosa,dar uma faxina,colocar algumas plantas,chamar algumas pessoas queridas para um gostoso bate-papo,acender um incenso e/ou velas aromáticas,se jogar no sofá,abrir as janelas,colocar uma música que você goste... enfim faça coisas que te dê prazer afinal a sua casa tem a sua energia lembre-se disso!
Luciana Penido.

domingo, 7 de março de 2010

O QUE É REALMENTE IMPORTANTE NA VIDA.

Hoje levantei com essa pergunta em mente o que realmente importa na vida?O que realmente vale a pena na vida?Surgiram 10 respostas:1-Acordar de manhã e ter mais um dia de vida.
2-Um sorriso de uma criança.
3-Dar e receber um abraço gostoso.
4-Chegar a noite e poder agradecer pelo dia que foi maravilhoso.
5-Estar próximo de nossos familiares e amigos.
6-Ter fé independente de sua religião,crença.
7-Reconhecer seus erros e poder rir deles.
8-Depois de dias recebendo notícias ruins receber uma boa notícia.
9-Poder dizer que errei mas pelo menos tentei melhor do que ficar frustada por não ter feito o que gostaria.
10-Trabalhar com aquilo que você gosta e ainda ganhar dinheiro com isso.

Acredito que podemos encontrar outras respostas,aceito sugestões!!! Mande a sua!!!O que realmente importante na vida para você?
Luciana Penido

segunda-feira, 1 de março de 2010

A BUSCA DO PRAZER IMEDIATO.

Estamos vivendo um momento da busca do prazer imediato,o que importa é o AGORA,a era do descartável,inclusivo o ser humano.
As coisas simples,o bem estar ficaram perdidos pelo caminho.”O que se planta hoje colhemos amanhã” não importamos mais com essa frase.
Desmedidamente tentamos encontrar uma forma para não lidar com as frustações,vazios,ansiedades,medos...aquilo que não dá prazer imediato é imediatamente descartável,não queremos pensar,agir,tomar atitudes,melhor se alguém fizer isso por nós.
As drogas,o consumo exarcebado,as compulsões,fazem esse”papel” de nos proporcionar o prazer imediato:pagando,consumindo serei feliz,só vou ser feliz se comprar aquele carro que acabou de ser lançado,quanto mais sacolas eu sair carregando do shopping mais feliz serei,tomando uma minúscula pílula ela me dará prazer por várias horas e esquecerei de todos os meus problemas.
Mas nenhuma dessas buscas resolverão os nossos problemas,estamos enganando a nós mesmos,precisamos aprender e reconhecer nossos limites,o NÂO faz parte das nossas vidas,por mais difícil que seja lidar com a dor,com as frustações...é dessa forma que crescemos enquanto pessoas,enquanto ser humano.
Luciana Penido.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A MULHER NA MODERNIDADE-CONQUISTAS E CONFLITOS.

Desde do nascimento é atribuído a mulher o papel de esposa,mãe.Mas ela passou a assumir a partir da modernidade um novo “papel social” adquirido através do mercado de trabalho e competindo cada vez mais o espaço profissional com os homens.
Se por um lado ela ganhou esse espaço por outro passou a exercer mais uma função de muitas vezes provedora do lar, e agora? Precisa ser uma ótima mãe,esposa,amante,dona de casa e trabalhar fora.
Ao adquirir o espaço profissional ela passou a ter dois turnos de trabalho:em casa e na empresa,ela é cobrada e se cobra por tantas tarefas e ainda precisa estar linda na hora que o marido chegar em casa.
Com a modernidade a mulher também precisou aprender a conviver com vários sintomas: irritabilidade,fadiga,distúrbio do sono,crises de choro,depressão...e não podemos esquecer da frustação constante porque muitas vezes ela se sente obrigada a dar conta de tudo o tempo todo.
O filme Mulheres perfeitas mostra muito bem essa visão onde a sociedade espera que ela a mulher seja excelente em tudo aquilo que ela faz,assistimos o filme e ficamos perplexas com tanta perfeição,com tantas mulheres lindas,felizes,realizadas que conseguem ao mesmo tempo cuidar dos filhos ,do marido,da casa,ir ao supermercado,ir na academia...mas no final do filme temos uma revelação, elas eram robôs.
Acredito que a mulher não precisa abrir mão do espaço adquirido mas ela precisa entender que não dá para tirar nota 10 em tudo na vida e quando ela passar a entender isso irá se cobrar menos e provavelmente se sentirá mais feliz e e realizada.
Luciana Penido

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O BRINCAR é essencial para as crianças.


Ao brincar a criança estabelece um vínculo com algo em si mesmo e com outro.Brincando a criança vive,cresce,aprende, se exercita ,o desenvolvimento da criança está ligado ao brincar.Não posso deixar de comentar que o brincar sempre foi e sempre será uma atividade espontânea,prazerosa,independente da idade,nível social,financeiro.Brincando a criança desenvolve a capacidade motora,social,emocional,cognitiva,intelectual.A brincadeira propícia não só a diversão mas ela recria,interpreta o mundo que ela vive e também faz com que ela a criança encontre respostas para as suas indagações.O brincar por si mesmo já é terapêutico.Nas sessões de psicoterapia utilizamos do brincar através de jogos,desenhos,caixa lúdica e outros.
Luciana Penido

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Metáfora: Limpando os armários de nossas vidas.

Na psicoterapia sistêmica utilizamos várias técnicas dentre elas temos: Desenhos,colagens,fotografias,imagens,metáforas ...
A metáfora abaixo é muito interessante ,ela não quer só mostrar a necessidade de limparmos os nossos armários mas também limpar um outro tipo de armário ,o nosso “armário interno”.
A psicoterapia nos possibilita isso,vamos fazendo uma “faxina” e retirando aquilo que não queremos mais,deixamos espaços para o novo, para novas possibilidades, vamos colocando os nossos sentimentos em “ordem”,vamos “limpando” aqueles sentimentos que não nos servem mais.E durante esse processo,durante essa “faxina”, sentimos que estamos mais “organizados” e com bem estar por ter feito essas mudanças.


LIMPANDO OS ARMÁRIOS DE NOSSAS VIDAS
Texto de Wilson Meiler

Todos os anos, há um momento em que olhamos nossos armários com um olhar crítico. Olhamos aquelas roupas que não usamos há tanto tempo. Aquelas que tiramos do cabide de vez em quando, vestimos, olhamos no espelho, confirmamos mais uma vez que não gostamos e guardamos de volta no armário.
Aquele sapato que machuca os pés, mas insistimos em mantê-lo guardado. Há ainda aquele terno caro, mas que o paletó não cai bem, ou o vestido "espetacular" ganho de presente de alguém que amamos, mas que não combina conosco e nunca usamos. Às vezes tiramos alguma coisa e damos para alguém, mas a maior parte fica lá, guardada sabe-se lá porquê.
Um dia alguém me disse: tudo o que não lhe serve mais e você mantém guardado, só lhe traz energias negativas. Livre-se de tudo o que não usa e verá como lhe fará bem.
Acontece que nosso guarda-roupa não é o único lugar da vida onde guardamos coisas que não nos servem mais. Você tem um guarda-roupa desses no interior da mente. Dê uma olhada séria no que anda guardando lá.
Experimente esvaziar e fazer uma limpeza naquilo que não lhe serve mais. Jogue fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que não lhe acrescentam nada e lhe roubam energia. Faça uma limpeza nas amizades, aqueles amigos cujos interesses não têm mais nada a ver com os seus.
Aproveite e tire de seu "armário" aquelas pessoas negativas, tóxicas, sem entusiasmo, que tentam lhe arrastar para o fundo dos seus próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento. A insegurança dessas pessoas faz com que busquem outras para lhes fazer companhia, e lá vai você junto com elas.
Junte-se a pessoas entusiasmadas que o apóiem em seus sonhos e projetos pessoais e profissionais. Não espere um momento certo, ou mesmo o final do ano, para fazer essa "faxina interior". Comece agora e experimente aquele sentimento gostoso de liberdade.
Liberdade de não ter de guardar o que não lhe serve. Liberdade de experimentar o desapego. Liberdade de saber que mudou, mudou para melhor, e que só usa as coisas que verdadeiramente lhe servem e fazem bem.
Luciana Penido

sábado, 30 de janeiro de 2010

Há momentos

Conheci Clarice Lispector,melhor dizendo a sua obra quando estava na faculdade,de lá para cá ela me encanta a cada dia mais e mais com a sua sensibilidade e o seu conhecimento profundo da alma humana,leio,releio a sua obra e não me canso,mulher encantadora que soube viver intensamente, deprimida,coberta de excessos, mas única.


Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

domingo, 24 de janeiro de 2010

Domingo em família

Domingo é sempre um dia gostoso.A família se reune para bater papo,para falar da semana,para colocar os "causos" em dia.Cada hora chega um,abraços,carinhos, sempre são bem vindos.A dúvida da dona da casa é o que fazer para o almoço,são dadas várias sugestões mas no final o prato vencedor é sempre o mesmo ou é frango/quiabo/angú ou é o tropeiro e de sobremesa tem queijo minas com docê de leite,arroz docê, goiabada cascão,pé de moleque(caseiro, daqueles de cortar no próprio tabuleiro).Que delícia de domingo!Mas antes do almoço sempre tem um tira gosto(esses são variados) e uma cervejinha .Chegada a hora de almoçar cada um pega o seu prato e "sirvam-se á vontade" é a frase da dona da casa.Hora abençoada e entre uma garfada e outra o papo continua.Depois é hora de descansar,curtir a "preguiça" que o domingo nos oferece, esse descanço é na rede ou no sofá.Que delícia de domingo! A hora vai passando e quando você pensa que acabou lá está a dona da casa preocupada com o lanche da tarde sempre tem um café fresquinho,bolos e biscoitinhos e todo mundo volta para a mesa da cozinha.Que delícia de domingo!
Luciana Penido

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Como é uma primeira sessão de psicoterapia?

Para quem ainda não iniciou uma psicoterapia e não sabe como é uma primeira sessão,vou explicar um pouco sobre isso,cada psicólogo, tem uma forma, um jeito de trabalhar,segue uma "linha "e baseia-se nesses fundamentos.Normalmente a pessoa nos procurar por telefone, e esse primeiro contato é muito importante, marcamos dia e horário para a primeira sessão.Nesse segundo encontro que já é pessoalmente o cliente relata a sua queixa(o sintoma ,o problema que o fez procurar ajuda),digo sempre que temos duas queixas: a principal,”urgente”, e a segunda que são outros temas que queremos trabalhar também.È feito uma anamnese,colhe-se todos os dados que achamos importantes para aquele processo,nosso papel é de saber acolhê-los,escutar,observar realmente o que eles estão nos pedindo,que tipo de ajuda eles querem.Com esses dados já podemos começar a pensar,buscar caminhos para ajudá-los e preparar as próximas sessões. É claro que as pessoas chegam ate nós buscando uma ajuda,ninguém chega dizendo que está bem,alguns já fizeram terapia em outros momentos, outros já passaram por outros especialistas que não resolveram o problema, porque não é da alçada deles mas sim da psicologia e tem também aqueles que demonstram muita resistência e negam que precisam de terapia ou porque não querem tocar na suas "feridas"ou ainda associam psicólogos com a loucura.
Sempre pergunto para eles se realmente querem começar a terapia,e o que esperam da terapia pois é um processo que exige dedicação,compromisso,tanto deles como do profissional também.A sessão dura em torno de 50 a 60 min,no final "selamos" um contrato onde consta dia e horário dos atendimentos(sessões semanais),valor.No final também coloco algumas observações do caso,daquilo que percebi no primeiro encontro e proponho de que forma podemos trabalhar,dar início ao processo.
Luciana Penido

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O PAPEL DO PSICÓLOGO

Durante uma sessão uma cliente me disse que eu era uma “lanterna” na vida dela ,me explicou que eu estava propiciando-a novas possibilidades ,era como se eu tivesse “clareando” o caminho para ela, refletindo sobre isso realmente acredito que o significado que ela encontrou para explicar o processo terapêutico não deixa de ter sentido,nosso lugar enquanto psicólogos não é o de dar conselhos mas o de proporcionar possibilidades que eles não estejam conseguindo enxergar,apontar a direção,dizer qual é o caminho para eles não é o nosso papel mas sim ajudá-los a ver uma nova direção.Nós psicólogos somos apenas mediadores desse processo.Digo sempre a eles que durante todo o processo vamos caminhar juntos mas quem decidi a velocidade desses passos são eles,alguns dias andaremos depressa,noutros vamos mais devagar,durante o caminho normalmente deparamos com a angústia,ansiedade,desânimo... mas chegará o momentos que eles estarão preparados para andar sozinhos,não vao precisar mais de uma “lanterna” já podem seguir o seu próprio caminho .

Luciana Penido.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Esse ano eu vou mudar de vida...

Chega de ficar quebrando a cara com velhos erros de sempre.
Quero cometer erros novos, passar por apertos diferentes, experimentar situações desconhecidas, sair da rotina e do lugar comum.
Esse ano eu preciso crescer.
Chega de saber a saída e ficar parado na porta, ensaiando os passos sem nunca entrar na estrada, esperando que me venha o que eu mais preciso encontrar.
Esse ano, se eu tiver que sofrer, será por sentimentos reais – nunca mais por imaginários, preocupado com coisas que jamais acontecerão.
Chega de planejar o futuro e tropeçar no presente.
Chega de pensar demais e fazer de menos.
Chega de pensar em um jeito e fazer de outro.
Chega do corpo dizer que sim e a cabeça dizer que não.
Chega desses intermináveis conflitos que me fazem adiar para nunca a minha decisão.
Esse ano eu vou viver.

Geraldo Eustáquio de Souza

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Viagem longa, destino incerto...
Rubem Alves

Esse é o mês em que sofro mais por causa de vocês, moços. Tenho dó. Ainda nem deixaram de ser adolescentes, e já são obrigados a comprar passagens para um destino desconhecido, passagens só de ida, as de volta são difíceis, raras, há uma longa lista de espera. Alguns me contestam: afirmam saber muito bem o lugar para onde estão indo. Assim são os adolescentes: sempre têm os bolsos cheios de certezas. Só muito tarde descobrem que certezas valem menos que um tostão.Seria muito mais racional e menos doloroso que vocês fossem obrigados agora a escolher a mulher ou o marido. Hoje casamento é destino para o qual só se vende passagem de ida e volta. É muito fácil voltar ao ponto de partida e recomeçar: basta que os sentimentos e as idéias tenham mudado.Mas a viagem para a qual vocês estão comprando passagens dura cinco anos, pelo menos. E se depois de chegar lá vocês não gostarem? Nada garante...Vocês nunca estiveram lá. E se quiserem voltar? Não é como no casamento. É complicado. Leva pelo menos outros cinco anos para chegar a um outro lugar, com esse bilhete que se chama vestibular e essa ferrovia que se chama universidade. E é duro voltar atrás, começar tudo de novo. Muitos não têm coragem para isso, e passam a vida inteira num lugar que odeiam, sonhando com um outro.Em Minas, onde nasci, se diz que para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela. Os apaixonados desacreditam. Quem é acometido da febre da paixão desaprende a astúcia do pensamento, fica abobalhado, e passa a repetir as asneiras que os apaixonados têm repetido pelos séculos afora: "Ah! mãe, ele é diferente..." "Eu sei que o meu amor por ela é eterno. Sem ela eu morro..." E assim se casam, sem a paciência de comer um saco de sal. Se tivessem paciência descobririam a verdade de um outro ditado: "Por fora bela viola; por dentro pão bolorento..."Coisa muito parecida acontece com a profissão: a gente se apaixona pela bela viola, e só tarde demais, no meio do saco de sal, se dá conta do pão bolorento.O Pato Donald arranjou um emprego de porteiro, num edifício de ricos. Sentiu-se a pessoa mais importante do mundo e estufou o peito por causa do uniforme que lhe deram, cheio de botões brilhantes, fios dourados e dragonas...Acontece assim também na escolha das profissões: cada uma delas tem seus uniformes multicoloridos, seus botões brilhantes, fios dourados e dragonas. Veja, por exemplo, o fascínio do uniforme do médico. Por razões que Freud explica qualquer mãe e qualquer pai desejam ter um filho médico. Lembram-se da "Sociedade dos Poetas Mortos"? O pai do jovem ator queria, por tudo nesse mundo, que o filho fosse médico. E ele não está sozinho. O médico é uma transformação poética do herói Clint Eastwood: o pistoleiro solitário, apenas com sua coragem e o seu revólver, entra no lugar da morte, para travar batalha com ela. Como São Jorge. O médico, em suas vestes sacerdotais verdes, apenas os olhos se mostrando atrás da máscara, a mão segurando a arma, o bisturi, o sangue escorrendo do corpo do inocente, em luta solitária contra a morte. Poderá haver imagem mais bela de um herói?Todas as profissões têm seus uniformes, suas belas imagens, sua estética. Por isso nos apaixonamos e compramos o bilhete de ida... Mas a profissão não é isso. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento...Uma amiga me contou, feliz, que uma parente querida havia passado no vestibular de engenharia. "Que engenharia?", perguntei. "Civil", ela respondeu. "Por que esta escolha?" — insisti. "É que ela gosta muito de matemática". Pensei então na bela imagem do engenheiro — régua de cálculo, compasso e prumo nas mãos, em busca do ponto de apoio onde a alavanca levantaria o mundo! "Se ela tanto ama a matemática talvez tivesse feito melhor escolha estudando matemática".Engenheiro, hoje, mexe pouco com matemática. Tudo já está definido em programas de computador. O dia a dia da maioria dos engenheiros é tomar conta de peão em canteiro de obra..."Isso vale para todas as profissões. É preciso perguntar: "Como será o meu dia a dia, enquanto como o saco de sal que não se acaba nunca?"Mas há outros destinos, outros trens. Não é verdade que o único caminho bom seja o caminho universitário. Acho que poucos jovens sequer consideram tal possibilidade. É que eles se comportam como bando de maritacas: onde vai uma vão todas. Não podem suportar a idéia de ver o "bando" partindo, enquanto ele não embarca, e fica sozinho na plataforma da estação...
Deixo aqui, como possibilidade não pensada, este poema de Walt Whitman, o poeta da "Sociedade dos Poetas Mortos":"Em nome de vocês...Que ao homem comum ensinema glória da rotina e das tarefasde cada dia e de todos os dias;que exaltem em cançõeso quanto a química e o exercícioda vida não são desprezíveis nunca,e o trabalho braçal de um e de todos— arar, capinar, cavar,plantar e enramar a árvore,as frutinhas, os legumes, as flores:que em tudo isso possa o homem verque está fazendo alguma coisa de verdade,e também toda mulherusar a serra e o marteloao comprido ou de través,cultivar vocações para a carpintaria,a alvenaria, a pintura,trabalhar de alfaiate, costureira,ama, hoteleiro, carregador,inventar coisas, coisas engenhosas,ajudar a lavar, cozinhar, arrumar,e não considerar desgraça algumadar uma mão a si próprio."Desejo a vocês uma boa viagem. Lembrem-se do dito do João: "A coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia..." Se, no meio da viagem, sentirem enjôo ou não gostarem dos cenários, puxem a alavanca de emergência e caiam fora. Se, depois de chegar lá, ouvirem falar de um destino mais alegre, ponham a mochila nas costas, e procurem um outro destino. Carpe Diem!

O texto acima foi extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares", editora Ars Poetica — São Paulo, 1995, pág. 37.Dica de meu caro cunhado, Dr. Ricardo A. Bacci, paradigma de "gente".

Simplicidade- Pato Fu

Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha

Mais sincero o bom dia
Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso
Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria
Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

DEPRESSÂO

Qualquer pessoa pode ficar triste, ter um momento de mau humor em função de uma decepção amorosa ou profissional, da perda de alguém querido, de processos de mudanças que ocorrem no curso da vida. Porém, a depressão é diferente, não é tristeza nem fraqueza de personalidade. Ela é uma doença que influencia as atitudes das pessoas perante suas vidas e as dos que estão ao seu redor. Ela altera os sentimentos e reduz as sensações de bem estar, muda a forma de pensar, interfere nas escolhas, nos comportamentos e crenças das pessoas.A depressão afeta milhões de pessoas a cada ano, independentemente da idade, do sexo, da raça, da religião e das condições econômicas e sociais. Quando não tratada pode durar meses e até anos, trazendo prejuízos incalculáveis e, às vezes, irreversíveis.Alguns dos sinais e sintomas da depressão são:- tristeza ou irritação durante a maior parte do dia, quase todos os dias;- perda de interesse ou do prazer por atividades que antes eram agradáveis durante a maior parte do dia;- mudanças súbitas no apetite ou no peso;- insônia ou necessidade de sono aumentada;- agitação ou prostração;- sensação constante de cansaço ou de perda de energia;- sentimentos freqüentes de inferioridade ou de culpa;- dificuldade de concentração e de tomar decisões;- pensamentos derrotistas freqüentes, sobre morte ou suicídio.Cabe ressaltar que os sintomas variam de pessoa para pessoa e não necessariamente todos estão presentes. É preciso uma investigação clínica detalhada, além da análise da história de vida da pessoa para se diagnosticar a depressão.Outros acontecimentos podem causar ou favorecer o surgimento da depressão, tais como:- experiências de vida como um divórcio, morte do cônjuge, perda do emprego, problemas financeiros;- abuso de álcool ou drogas;- uso de determinadas medicações ou presença de outras doenças;- história familiar de depressão;- em mulheres, mudanças hormonais após o parto;- em idosos, doenças como o câncer, Alzheimer e Parkinson.Mesmo que a causa da depressão não seja identificada, na maioria dos casos há a possibilidade de melhora através de tratamento adequado. Geralmente, os tratamentos incluem psicoterapia e medicamentos. É muito importante também o apoio familiar, no sentido de compreender que a depressão é uma doença real e que necessita tratamento específico.Além disso, a prática regular de exercício físico, a alimentação balanceada, o estabelecimento de uma rotina para o horário de sono e a redução do consumo de cafeína e de álcool também podem auxiliar no tratamento e na prevenção, fazendo com que o paciente se sinta melhor.(Texto elaborado com base no informativo Lundbeck - 2009)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Trecho do livro Mentes Perigosas-Autora Ana Beatriz Barbosa Silva


Normalmente a psicopatia é associada a pessoas violentas, com aparência de assassinas e que podem ser facilmente identificadas. Mas, diferentemente do que se costuma acreditar, psicopatas, em sua grande maioria, não são necessariamente assassinos. Em Mentes Perigosas, a médica psiquiatra Ana Beatriz B. Silva alerta para o fato de que os psicopatas podem permanecer por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos. “Eles Transitam tranqüilamente pelas ruas, cruzam nossos caminhos, freqüentam as mesmas festas, dividem o mesmo teto, dormem na mesma cama... Apesar de mais de vinte anos de profissão, ainda fico muito surpresa e sensibilizada com a quantidade de pacientes que me procuram com suas vidas arruinadas, totalmente em frangalhos, alvejadas por esses seres”, diz ela.
Segundo a autora, os psicopatas são 4% da população: 3% são homens e 1% mulher. Ou seja, a cada 25 pessoas, uma é psicopata. E como seus atos criminosos não provêm de mentes adoecidas, mas sim de um raciocínio frio e calculista combinado com uma total incapacidade de tratar as outras pessoas como seres humanos, eles não são considerados loucos, não sofrem de alucinação ou apresentam sofrimento mental. Vivem incógnitos, em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas definitivamente não são como a maioria das outras pessoas. Apenas em casos extremos, os psicopatas matam a sangue-frio, com requintes de crueldade, sem medo e sem arrependimento. Em sua grande maioria, eles não são assassinos e vivem como se fossem pessoas comuns. No entanto, são desprovidos de consciência e, portanto, destituídos do senso de responsabilidade ética, que é a base essencial das relações emocionais. “Sei que é difícil de acreditar, mas algumas pessoas nunca experimentaram ou jamais experimentarão a inquietude mental, ou o menor sentimento de culpa ou remorso por desapontar, magoar, enganar ou até mesmo tirar a vida de alguém. Admitir que existem criaturas com essa natureza é quase uma rendição ao fato de que o ‘mal’ habita entre nós, lado a lado, cara a cara”, explica a autora.
Ana Beatriz alerta no livro para o poder destrutivo dos psicopatas, que manipuladores, perversos e desprovidos de culpa, remorso ou arrependimento, são capazes de passar por cima de qualquer pessoa para satisfazer seus próprios interesses: “Eles podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas [em sua maioria] não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloqüentes, ‘inteligentes’, envolventes e sedutores, não costumam levantar a menor suspeita de quem realmente são. Podemos encontrá-los disfarçados de religiosos, bons políticos, bons amantes, bons amigos. Visam apenas benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade”.
Segundo o psiquiatra canadense Robert Hare, uma das maiores autoridades sobre o assunto, os psicopatas têm total ciência dos seus atos - a parte cognitiva ou racional é perfeita -, ou seja, sabem perfeitamente que estão infringindo regras sociais e por que estão fazendo. O déficit deles está no campo dos afetos e das emoções. Assim, para eles, tanto faz ferir, maltratar ou até matar alguém que atravessa o seu caminho ou os seus interesses, mesmo que esse alguém faça parte de seu convívio íntimo. Esses comportamentos desprezíveis são resultados de uma escolha exercida de forma livre e sem qualquer culpa. A mais evidente expressão da psicopatia envolve a flagrante violação criminosa das regras sociais - eles sabem perfeitamente o que estão fazendo. Quanto aos sentimentos, porém, são absolutamente deficitários, pobres, ausentes de afeto e de profundidade emocional: “Assim, concordo plenamente quando alguns autores dizem, de forma metafórica, que os psicopatas entendem a letra de uma canção, mas são incapazes de compreender a melodia”, esclarece a psiquiatra.
" Estou convencida de que falhas em nossas organizações familiares, educacionais e sociais são dados importantes e merecem estudos aprofundados e toda a nossa atenção, mas por si só não são suficientes para explicar o fenômeno da psicopatia”.